quinta-feira, outubro 12, 2006

Sol Nascente

Parece-me que o principal trunfo de José António Saraiva enquanto director do Sol é, ironicamente, o trabalho (não) feito por ele próprio à frente do Expresso nos últimos anos, período em que o jornal perdeu qualidade e influência e se tornou previsível e insatisfatório.

O Sol pode beneficiar desta circunstância e captar leitores que já só compravam o Expresso por hábito e falta de alternativa, mas o desafio a que se propõe – cruzar os géneros Público e Correio da Manhã para fazer um semanário popular de referência – não tem historial recente de sucesso na imprensa portuguesa. O Diário de Notícias, por exemplo, vive nessa estratégia e não pára de perder audiência.

Se o caderno principal e o suplemento de economia do Sol agradaram, com invulgar quantidade de conteúdos, já a apresentação da revista Tabu é um desastre de tons, grafismo e impressão ao nível de uma publicação cor-de-rosa de segunda linha.

Numa época em que os jornais não abdicam da distribuição de livros, filmes e afins, abrindo uma terceira via de negócio para juntar às vendas e à publicidade, será também interessante ver até quando se mantém a promessa na primeira página: “Este semanário não oferece brindes nem faz promoções”.

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

e porque raio de milagre é que um director que acumulou erros ao longo dos ultimos anos à frente do Expresso haveria de não repeti-los só porque se lançou num projecto que tem como unica motivação atacar o próprio expresso?

12/10/06 08:13  
Anonymous JG Andre said...

O comentário anterior refere-se a algo que também me incomoda no Sol: a evidente tendência para atacar o Expresso. As inenarráveis "confissões" de José António Saraiva sobre as suas reuniões e almoços com Balsemão revelam um ressentimento invulgar. Na minha opinião, este "ressentimento", que é transversal ao jornal,descaracteriza-o e pode limitar gravemente o seu sucesso.

12/10/06 12:33  
Anonymous JG Andre said...

Ao post original acrescentaria: Pontos positivos - bom desenvolvimento dos temas políticos e internacionais; e, até ao momento, a qualidade das entrevistas.
Pontos negativos: a ausência de um suplemento cultural (as 6 págs. no interior do Primeiro Caderno são insuficientes).

12/10/06 12:37  

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