sexta-feira, janeiro 12, 2007

Espelho meu, espelho meu...

Manuel Maria Carrilho deixou a Câmara de Lisboa, alegando "falta de tempo" (sempre é mais original que os "motivos pessoais"). Esta notícia não constitui propriamente uma surpresa, dada a tendência natural de Carrilho para saltitar de posto em posto, sem que deixe recordações positivas em quaisquer deles. Na realidade, Carrilho é uma daquelas personalidades que não veio ao mundo para passar muito tempo no mesmo sítio. Pelo contrário, o dito senhor é especialista na acumulação de títulos (Professor, ministro, deputado, vereador, quase-presidente de câmara, favorito em sondagens e pessoa bem), sem que todavia faça grande esforço para justificá-los (à excepção do último mencionado, obviamente).

Contudo, confesso que fiquei confuso perante a explicação adicional avançada pelo Professor Carrilho: “Tomei a minha decisão por respeito à cidade”, afirmou aos jornalistas. Ora aqui está um verdadeiro desafio hermenêutico. Carrilho deixa a Câmara por respeito à cidade? Estaremos perante um refinado exercício auto-crítico, no qual o ex-vereador reconhece por fim a sua incompetência e inutilidade? Terá Carrilho afinal optado por retirar-se num derradeiro e magnânimo gesto altruísta? Alguém que condecore o homem, se faz favor!

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Pela primeira vez, desde que conheço o nome de Carrilho estou satisfeita com ele, muito satisfeita. A sua decisão, só pode ser reconhecimento que a Câmara de Lisboa merece ser servida por alguém que veja na política uma forma de servir a comunidade.Ora, ele não tem tempo!!!

12/1/07 15:24  
Anonymous boecio2006 said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

12/1/07 23:01  
Blogger Jose Gomes Andre said...

Respondendo uma "pergunta boécia", eu diria que Carmona é um sujeito honesto, e acreditei que tinha um projecto interessante para a cidade (de tal forma que levou o meu voto). Mas é óbvio que se enredou numa teia de equívocos, más influências e decisões precipitadas/erradas que estão a destruir Lisboa. O seu mandato é muito, muito mau, até ao momento. Resta saber se Carrilho seria pior (eu continuo a achar que sim).

Um abraço!

13/1/07 02:04  
Blogger Ângulo Saxofónico said...

O argumento do menos mau possível não me convence, Zé. Até pode ser que o Carrilho fosse pior que o Carmona, mas isso só por si não me satisfaz. De todo. Abraço.

13/1/07 20:09  

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