terça-feira, março 20, 2007

Dias da Música

A qualidade da Festa da Música – pela excelência dos seus intérpretes, pela quantidade de concertos apresentados, pelo ambiente que gerava – é irrepetível. Todavia, a alternativa sugerida pelo CCB – os Dias da Música (a decorrer entre 20 e 22 de Abril) – reúne todas as condições para ser um evento bem sucedido. Na verdade, trata-se de um festival bem arquitectado, que tira partido das potencialidades físicas do CCB e sabe rentabilizar o orçamento possível (muito reduzido em comparação com a Festa da Música) para permitir espectáculos de qualidade.

A alternativa proposta mantém a estrutura da Festa da Música, reduzindo um pouco o número de concertos (66 no total). Embora sejam criados intervalos maiores entre os espectáculos, a dinâmica é preservada (os concertos decorrem a cada duas horas, no máximo, e com intervalos nunca superiores a uma hora e vinte minutos). Não são sugeridos horários excêntricos, mas há oferta para ouvidos matinais e hábitos mais noctívagos. O preço é acessível a todas as bolsas: os concertos custam 6 euros, independentemente da sua duração. Alguns espectáculos (consoante a sua localização) podem custar apenas 3 euros.

A qualidade do programa é indiscutível. Dedicado ao piano, este Festival apresenta intérpretes da elite nacional (Maria João Pires, Jorge Moyano, Mário Laginha, Artur Pizarro) e internacional (Fazil Say, Uri Caine, Sergio Tiempo), além de promessas portuguesas (Bernardo Sassetti, Filipe Pinto-Ribeiro, Miguel Borges Coelho). As sugestões programáticas incluem clássicos do repertório como os Concertos para Piano e Orquestra de Brahms (nº2), Tchaikovski (nº1), Beethoven (nº3 e nº5), Rachmaninov (nº2) ou Prokofiev (nº3), além de sonatas de Liszt, Bartók e Schubert, e outras peças célebres (as Cenas Infantis, de Schumann; os Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, por exemplo). Mas há também espaço para obras pouco tocadas e menos conhecidas do público em geral, de autores diversos como Scarlatti, Chopin, Debussy, Saint-Saëns e Rimsky-Korsakov.

Os Dias da Música prometem.

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2 Comments:

Blogger JÚLIO SILVA CUNHA said...

Estimado Zé Gomes,
não acha que 6 euros é um preço demasiado baixo? Quem paga a diferença, ou melhor, quem subsidia os prazeres privados dos melómanos? Parece-me que são fundos públicos...prazeres privados pagos por fundos públicos.

29/3/07 20:04  
Blogger Raposa Velha said...

Olá. Eu realçaria que a Festa da Música terminou por se ter decidido gastar 500,000.00€ + extras, todos os anos, na massagem ao ego Berardo. E o custo final não foi assim tão diferente.

Sobre prazeres privados.... creio que igualmente se poderia perguntar, com igual legitimidade, porque hão-de os meus impostos ter pago não sei quantos estádios do Euro 2004.

26/4/07 00:11  

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