quarta-feira, setembro 12, 2007

Duvidanças de uma mente curiosa, 64

A propósito do Portugal-Sérvia:

1) Não é estranho que, num jogo no estádio Alvalade XXI, o único jogador do Sporting a iniciar a partida jogasse pela Sérvia?

2) No início foi feito um "minuto de silêncio" em memória do recém-falecido seleccionador da Arménia. Durou 20 segundos, durante os quais o estádio em pleno aplaudiu. Porque é que se chama então "minuto de silêncio" a algo que não dura um minuto nem acarreta silêncio?

3) É impressão minha ou Portugal está em muitos maus lençóis nesta sua classificação?

4) No final do jogo, Scolari justificou a sua agressão (ou tentativa de) como sendo defensiva do seu jogador Quaresma, quando as imagens mostravam que ninguém o ameaçava. Justificou a derrota invocando a culpa do árbitro. Quando perguntado se não seria redutora tal justificação, disse ironicamente: «tem razão, a culpa é minha». Seria mesmo aquele o seleccionador ou um daqueles velhinhos que vê os treinos das equipas de transístor na mão?

5) Será que Luiz Felipe Scolari sabe agora que o que no Brasil é "tapa", em Portugal é "agressão"?

6) Posso fazer algo que nunca fiz (nem concebi vir a fazer) aqui no bempelocontrario?: pedir Scolari na rua, e já.

(N.B. Será ainda relevante o facto de Portugal ter jogado pessimamente - de novo - e de ter merecido sofrer um golo, cuja pretensa ilegalidade é duvidosa? Não me parece...)

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

E viva o regresso da Inquisição!

13/9/07 00:52  
Blogger José Gomes André said...

A Inquisição? O que é mesmo cool e bué moderno é um seleccionador que agride adversários ao murro. Cenas lamentáveis, cada vez mais comuns às selecções de futebol, que lidam muito mal com os maus resultados: ele é socos a árbitros, ele é cartoes roubados, ele é agressões, enfim...

Scolari na rua, evidentemente. Deixou de ter condições para continuar. A fama de "disciplinador" morreu e a imagem internacional de Portugal ficou manchada. Espero que não haja nova campanha de branqueamento...

A equipa continua arrogante, displicente, com a mania dos calculismos e dos "serviços mínimos". Longo, longo bocejo, quase todo o jogo...

Quatro vitórias nos jogos que faltam garantem o apuramento. Seria patético que a selecção ficasse de fora do Euro.

13/9/07 04:12  
Blogger André, o campos said...

A mim não me importa que a equipa jogue mal, não me importa que o sujeito seja um dos melhores treinadores do mundo, não me importa que ainda tenhamos boas hipótese de classificação.

Importa-me o seguinte: o seleccionador (aquele que é o responsável maior pela organização técnica das selecções de futebol) tentou agredir um jogador adversário no final de um jogo que lhe correu mal. Desculpou-se dizendo que defendia o seu jogador, e não só se mostrou que não o fazia, como violou um princípio básico do desporto, a competitividade sã: para Scolari, "se um adversário ameaçar o meu jogador, não os separo, mas dou um tapa nele"...

No final, Scolari arrogantemente sacudiu a água do capote tanto na agressão como na má exibição.

Tem o anónimo razão quando dá a entender que se dê algum crédito ao homem. Claro! Mas esse crédito tem um limite: no mínimo, o pedir desculpas, um "mea culpa" sincero (não aquele disparate irónico do final da entrevista de ontem), e a TODOS (em especial aos espectadores no estádio com crianças).

Se não pedir desculpa, não vejo outra solução que não o pedir a demissão. Que diria o leitor se um dos ministros do seu governo tentasse agredir um deputado da oposição?: não exigiria uma retractação pública e/ou a demissão?

Não é a Inquisição: é a defesa daquilo que o desporto deve representar, e do qual as selecções nacionais devem ser o expoente máximo. Porque alguns de nós ainda têm uma noção idílica do desporto...

13/9/07 12:23  
Anonymous Gonçalo said...

Concordo com tudo o que foi aqui dito menos com a "noção idílica do desporto" (a menos que tenha sido uma ironia do Campos, que me passou despercebida): o futebol profissional (selecções incluídas) não é um desporto, mas um entertenimento de massas. Problema das definições nominais, que classificam os aspectos formais em detrimento dos funcionamentos efectivos - o futebol está infinitamente mais próximo de qualquer indústria de conteúdos do que de qualquer outro desporto. SEja como for, isto não iliba de todo Scolari; pelo contrário, responsabiliza-o ainda mais porque, tal como bem disseram, trata-se de uma questão diplomática e de imagem pública (aquela que mostram e que circula pelo mundo em paralelo com as do cinismo lamentável da conferência de imprensa). Abraço.

13/9/07 16:44  

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