sexta-feira, outubro 12, 2007

Duvidanças de uma mente curiosa, 69

A propósito do prémio Nobel da paz para Al Gore:

1) Não é curioso que ganhe um prémio por méritos de promoção "da paz" alguém que ocupou a vice-presidência de uma administração estadual com iniciativas "de guerra" no Kosovo e na Somália?

2) Spinoza define a paz não como a mera ausência de guerra, mas como uma vontade constante individual de constituir um poder comum. Kant vê mais a sua paz "perpétua" numa cooperação sociável entre povos. O Comité Nobel vê agora a paz como sinónimo de segurança ambiental. Deverá então ser defendida hoje em dia em definitivo a completa sinonímia da paz à segurança? Se sim, para quando o prémio Nobel para serviços policiais?

A propósito do jogo de futebol Portugal-Azerbaijão:

- Palavras de Luiz Felipe Scolari na conferência de imprensa antes do jogo, segundo o jornal Record: «Só vai mudar a imagem. Eu e o Murtosa pensamos quase igual em termos de jogo. O Murtosa sabe que tem a minha concordância em qualquer atitude que tomar durante o jogo. As condições do Murtosa são iguais às minhas [...]. O que sei é que não vou sofrer muito. Murtosa tem todas as condições e poderá ser até melhor neste momento.» Pergunta-se então: se Scolari não sofre com a selecção, e se o seu adjunto tem as mesmas condições, e poderá ser até melhor, por que diabo é que são pagos 30 mil contos por mês ao seleccionador se esse tal Murtosa faz o mesmo, ou melhor, por menor preço?

2 Comments:

Blogger nelio said...

parece-me que as razões de atribuição do prémio têm a ver com o facto de que o equilíbrio ambiental poderá prevenir conflitos no futuro pela posse dos poucos recursos naturais que ainda persistam. basta pensarmos que os grandes rios que correm em portugal vêm de espanha. se nuestros hermanos se lembrassem de reduzir drasticamente os caudais por razões de sobrevivência, dava guerra de certeza.

13/10/07 14:20  
Anonymous Pérez said...

Crise ambiental/política internacional será, sem dúvida, um dos temas "quentes" deste novo século. Aconselho, para lá de Al Gore, a leitura de um texto que marcou o início do estudo da chamada "geopolítica ambiental", de um senhor chamado Robert Kaplan, intitulado "The Coming Anarchy". Deixo aqui o link com o texto para quem estiver interessado: http://dieoff.org/page67.htm

Um pequeno excerto para abrir o apetite:

"While a minority of the human population will be, as Francis Fukuyama would put it, sufficiently sheltered so as to enter a "post-historical" realm, living in cities and suburbs in which the environment has been mastered and ethnic animosities have been quelled by bourgeois prosperity, an increasingly large number of people will be stuck in history, living in shantytowns where attempts to rise above poverty, cultural dysfunction, and ethnic strife will be doomed by a lack of water to drink, soil to till, and space to survive in. In the developing world environmental stress will present people with a choice that is increasingly among totalitarianism (as in Iraq), fascist-tending mini-states (as in Serb-held Bosnia), and road-warrior cultures (as in Somalia). Homer-Dixon concludes that "as environmental degradation proceeds, the size of the potential social disruption will increase."

Que o Nobel atribuido a Al Gore possa tornar ainda mais visível uma causa que ainda não está perdida...

13/10/07 17:56  

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