quinta-feira, janeiro 10, 2008

O não-referendo: as máscaras da Esquerda

É interessante observar a histeria com que o BE e o PCP reagiram ao anúncio de Sócrates, exclamando que a Pátria está em perigo e profetizando o fim do mundo. Seria bom compreender o que está verdadeiramente por detrás deste entusiasmo.

Com efeito, o BE e o PCP não desejam um referendo para “aprofundar a dinâmica popular da construção europeia”, como apregoam, mas sim para rejeitar o Tratado e bloquear tanto quanto possível essa mesma construção europeia. Suspeito, aliás, que haja no BE e no PCP muita gente que gostaria de regressar ao escudo, abandonar a União Europeia e voltar às fronteiras patrulhadas de outros tempos.

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Tenho bastantes dúvidas acerca desse suposto desejo de regresso ao passado do BE e do PCP. Penso até que a sua agenda não será assim tão secreta quanto isso. A ideia é desgastar o Governo para as eleições de 2009, para evitar uma nova maioria absoluta, e sublinhar, mais uma vez, um facto quanto a mim indiscutível: este não foi o caminho que foi sonhado para a Europa Comunitária pelos seus fundadores. Basta ler a entrevista dada ao Expresso por Pacheco Pereira e por António Barreto, ou a reacção de Manuel Alegre à decisão do Governo, para perceber que algo vai mal não só na nossa democracia, mas também nas democracias europeias e no projecto europeu. Um espaço de igualdade em que uns passam a ter mais poder que outros, em que a fundamentação política - se e quando existe - é dominada por um profundo sentimento de fim da História, transformando a dinâmica e o combate político numa questão de mera administração socioeconómica geradora de consensos, entre outras coisas, não é, certamente, a Europa de que qualquer um de nós se orgulha, quando olhamos para os pensadores que tanto admiramos e que contribuiram para tantas mudanças profundas na nossa organização social e política.
Compreendo o que dizes e até aceito que possa ser verdade. Mas acho que a questão, mesmo quando abordada pelo BE e pelo PCP, ou por figuras de outras cores partidárias com discursos pró-referendo ou anti-Tratado, remete para problemas bem mais profundos da sociedade actual, entre os quais o sentimento de inevitabilidade dos acontecimentos que se apoderou dos partidos de poder, nacionais e internacionais, assim como dos cidadãos em geral, e que conduz a esta falta de esperança e de vontade de mudança que justificará, não tenho dúvidas e estou plenamente de acordo contigo, uma nova vitória de Sócrates em 2009. Infelizmente para todos nós.
Abraço

10/1/08 11:11  
Blogger ILCO said...

que seria uma boa oportunidade para se conhecer melhor o que é e para onde vai a Europa penso que ninguém tem dúvidas... agora não fazer referendo porque o sim venceria de certeza penso que é abusivo: é que o povo, penso eu, nunca foi consultado sobre a adesão à UE ou CEE!

10/1/08 11:56  
Blogger André, o campos said...

Não só é esse o desejo encapotado de muita gente ligada ao PC e ao BE, mas também, e tenho a certeza do que digo, ligada ao CDS e até, pasme-se, ao PSD.

Gente do "nim".

10/1/08 16:33  

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