segunda-feira, julho 28, 2008

Não me chamem já "fascista"

"O CDS-PP vai pedir na reabertura do Parlamento uma investigação rigorosa à distribuição do rendimento social de inserção. O anúncio foi feito por Paulo Portas, que considera inadmissível que uma parte do país trabalhe para que outra viva do subsídio."

Eu sei que isto é um bocadinho demagógico - e na boca de Paulo Portas tem o objectivo populista que todos conhecemos. Mas o princípio de fundo parece-me correcto. O Rendimento Social de Inserção tornou-se um tema tabu na política portuguesa: todos suspeitamos de que ele é mal aplicado, de que é injusto em muito casos e verdadeiramente absurdo noutros. E todavia, ai daquele que o puser em causa.

É fundamental ultrapassar esta barreira criada pelo "politicamente correcto" e averiguar se, num momento de crise em que a contenção do Estado é absolutamente necessária, não se justificaria fazer cortes significativos neste género de subsídios.

4 Comments:

Blogger M. said...

O problema não está neste género de subsídos, mas sim na falta de rigor na sua atribuição. Já vamos em cerca de um milhão de euros por dia gastos com o RSI, e há muitos casos em que este apoio faz a ponte entre a perda dos meios de subsistência e a sua recuperação. O pior é o resto, como uma família largamente conhecida em Coimbra, aparentemenete muito desfavorecida, a quem um jornalista perguntou: "Mas já tentaram arranjar trabalho?" Resposta: "Não podemos, não, não. Assim perdíamos o subsídio." E são uma fatia considerável do bolo, estes casos. É cenário recorrente em Portugal: a ideia não é má, mas a aplicação dá cabo dela.

Mas porque é que a aplicação falha, se toda a gente sabe como e onde e porque é que falha? Porque é que continua a existir falta de meios para acompanhar os beneficiários na reconstrução da sua auto-subsistência? Porque é que o RSI, que, na sua essência, é um meio para atingir um fim, se torna num fim em si mesmo? Às vezes parece-me que é de propósito. Parece-me que é optar pela solução mais fácil. Parece-me que é o Estado português a transformar o seu papel social numa pequena figuração. Dá menos trabalho e o nome aparece igualmente na ficha técnica.

28/7/08 12:04  
Blogger Jacinto said...

"Suspeitamos"?...
Com que então,forma eufemística...

28/7/08 13:11  
Blogger José Gomes André said...

Obrigado pelos comentários. Cara "m", subscrevo incondicionalmente a sua posição. Claro que não está em causa suprimir o dito rendimento; mas não podemos continuar a atribuí-lo sem olhar às condições de aplicação só porque isso faz de nós "racistas", "xenófobos" ou "fascistas".

29/7/08 20:19  
Blogger mdsol said...

É bom começar por algum lado a "desconstruir" discursos e práticas que, com uma génese "boa" se foram impregnando daqueles aspectos possíveis de se colarem às coisas, mais que não seja porque são coisas de humanos. Imperfeitas e a necesitarem de constantes actualizações e aperfeiçoamento.
:)

31/7/08 12:55  

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