terça-feira, junho 05, 2007

Lisboa descartável

Excertos de um texto certeiro de João Vieira Pereira, no Caderno de Economia do Expresso (sublinhados meus):

“(...) os sucessivos autarcas eleitos por Lisboa trabalham para que esta seja uma cidade para usar, mas não para viver. Tudo em Lisboa (e desconfio que no Porto também) é feito para facilitar a vida de quem se desloca todos os dias para trabalhar na cidade. Em contrapartida, quem nela mora vê a sua qualidade de vida diminuir ano após ano.

Um exemplo recorrente. Em qualquer lugar vago nas ruas da cidade surge de imediato um parque de estacionamento. Privado ou público é o negócio perfeito. A procura é garantida e a taxa de ocupação enorme. (...) No Arco do Cego (...) ainda foi projectado um jardim. Construiu-se metade, a outra é um parque de estacionamento provisório. E todos sabemos que no dicionário do autarca o sinónimo de provisório é eterno.

Falta vida em Lisboa fora dos abomináveis centros comerciais, falta o comércio virado para a rua, faltam esplanadas e espaços verdes agradáveis (...). O ar é cada vez mais irrespirável, a poluição sonora um dos maiores problemas. A isto temos de juntar os prédios abandonados, a sujidade das ruas, a degradação dos bairros típicos. (...)

Este privilégio dado a quem trabalha em Lisboa é completamente absurdo e a estratégia dos autarcas em apostar no bem-estar de quem nela não vota, talvez a maior estupidez política.”

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