Coisas que valem a pena, 18
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"To sin by silence when we should protest makes cowards out of men"
“Amo a humanidade de forma inexorável. Mas, com grande surpresa minha, quanto mais amo a humanidade em geral, menos o faço em relação às pessoas individualmente consideradas. Já desejei com ardor servir essa humanidade em geral, e talvez subisse ao calvário por amor do próximo, quando, afinal, não consigo viver sequer dois dias seguidos com outra pessoa no mesmo quarto. Logo que sinto alguém perto de mim, a personalidade do outro oprime o meu amor-próprio, constrange a minha liberdade. Em vinte e quatro horas sou capaz de me revoltar com as melhores criaturas do mundo: uma porque fica muito tempo à mesa, outra porque se constipou e não pára de espirrar. Torno-me inimigo do género humano assim que entro em contacto com os homens. Mas, em compensação, quanto mais me irrito com os entes em particular, mais ardo de amor pela humanidade inteira”.Etiquetas: série "coisas que valem a pena"
"Poderá da mais profunda desgraça germinar a esperança, mesmo que seja como uma interrogação apenas audível? Será essa a esperança, fora dos limites do desespero, a transcendência da desolação, não como a sua renegação, e sim como o milagre que ultrapassa a fé. Ouçam então o final, ouçam-no comigo: um naipe de instrumentos após outro esvai-se e o que resta, quando a obra se acaba, é o sol agudo de um violoncelo, a última palavra, o derradeiro som que plana no ar e se extingue, desaparecendo lentamente numa fermata em pianíssimo. Nada mais acontece. Silêncio e noite."Etiquetas: série "coisas que valem a pena"