quarta-feira, março 14, 2007

Desaparecido em combate

É uma evidência: não há jornalismo televisivo em Portugal. Quanto muito, temos uma série de empenhados repórteres, que seguem arguidos, esticam o microfone para o povão, e registam os gritos de indignação de uma mãe pesarosa ou de um desempregado desesperado.

O episódio da “menina de Penafiel” (ou como lhe quiserem chamar) é digno de uma paródia ao melhor estilo Monty Python. A objectividade foi substituída pelo improviso mais descarado, as intervenções jornalísticas baseavam-se em relatos indirectos, do género “diz que disse” ou no já incontornável “alegadamente”. A lenga-lenga, assente em acordes pianísticos a puxar à lágrima, e polvilhada pela arruaça popular – demorou 19 minutos na RTP e cerca de 23 minutos na TVI. Não há pachorra.

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Está tudo a dormir

Não há ninguém na redacção de “O Jogo” que ache que esta capa envia uma estranhíssima mensagem sub-reptícia (para não dizer evidente...)?

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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Sic transit gloria mundi

Três meses de campanha para o referendo. Horas e horas de debates inócuos e argumentos vazios. Mais uns dias a discutir os resultados. Um comboio caiu num rio. Agora vamos esperar a ver se resgatam os desaparecidos. Um estudo qualquer (cheio de boas intenções, não duvido) chegou à conclusão que uma em cada cinco crianças portuguesas está de mal com a vida. Já se antevê um Prós e Contras com pedopsiquiatras, sociólogos, associações de pais, professores no desemprego e a pandilha do costume em acalorada discussão. Parece que há por aí umas prostitutas com SIDA que não usam o preservativo e não dizem nada à malta. Um tribunal acha mal. Esmeralda está desaparecida e o Sargento emagreceu uns quilitos. No fim-de-semana é Carnaval, a Páscoa é logo a seguir e a época de incêndios está quase a começar. E depois, bem, depois é o calor. E as férias.

Por vezes tenho a sensação de que se Portugal se afundasse, os telejornais abriam com notícias sobre a venda de equipamentos de mergulho em Sernancelhe.

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