sexta-feira, setembro 14, 2007

Clube Scolari (VI)

Duas notas mais:

1. As declarações de Scolari continuam a ser ultrajantes. Dizer que não agrediu ninguém é mentira. Scolari pretendeu socar Dragutinovic e só não o atingiu porque este se desviou. As imagens são inequívocas. Dizer que queria proteger Quaresma ou defender outros jogadores (o que fica sempre bem) é mentira. Quaresma está a milhas e nem sequer estava a discutir com “Dragu”, mas sim com Duljaj; quando atinge “Dragu”, Scolari não tem nenhum jogador nas imediações e “Dragu” não estava a tentar atingir nenhum jogador. Dizer que respondeu a uma agressão é mentira. “Dragu” deve ter-lhe dito das bocas, mas nunca o esmurrou, nem sequer o empurrou. Tocou-lhe na mão para o afastar, num gesto inócuo.

2. No meio da confusão, não se fala na questão desportiva, que é fundamental. Portugal joga um futebol medíocre, não ganhou seis dos dez jogos disputados, está em terceiro lugar e tem o apuramento em risco. A desculpa de Scolari (mais uma) que a equipa está “em renovação” é patética. Estamos perante jogadores muitíssimo experientes que actuam nas melhores equipas da Europa e a equipa-base está com Scolari há quatro anos consecutivos: Ricardo, Miguel, Andrade, Carvalho, Meira, Ferreira, Petit, Simão, Tiago, Maniche, Ronaldo, N. Gomes, Deco, Postiga. As excepções são Bosingwa, Alves, Moutinho e Quaresma, cada um deles com pouco mais de 150 minutos nesta fase de qualificação.

O nosso grupo não é o paraíso, mas, por Deus, saibamos apreciar o real valor dos adversários: Polónia e Finlândia NUNCA estiveram numa fase final de um Europeu. A Bélgica apurou-se a última vez em 1984. A Sérvia participou uma vez (quartos-de-final). E são apurados os dois primeiros... Ninguém pede que sejamos campeões do mundo, mas Portugal tem um conjunto de jogadores excepcional e seria ridículo não estar entre os 16 melhores da Europa. Ridículo.

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Clube Scolari (V)

Em Portugal reage-se habitualmente de uma forma extremada. Faz parte da nossa natureza. Nas horas que se seguiram ao jogo, Scolari era um monstro, uma besta, um animal. Pediu desculpa (numa intervenção repleta de “mas” e “emboras”, mas pediu), pediu perdão ao filho e chorou uma lágrima ao referir-se à esposa. O que sucede depois? Um herói, um homem íntegro, um santo.

Como quase sempre, a verdade situa-se provavelmente a meio deste duplo exagero. Scolari não matou ninguém, nem agrediu o árbitro. Não tem que ser preso, nem é preciso mandá-lo para a fogueira. Mas o acto violento que praticou contra um jogador é grave. O seleccionador nacional representa a equipa, no mais mediático desporto mundial, que por sua vez é um exportador essencial da imagem das nações. Envergonhou a selecção e o país. No meu entender, devia sair, ou, no mínimo, ser severamente punido (desportivamente falando). E não se deveria esperar que a sentença viesse da UEFA. Era a Federação Portuguesa de Futebol que devia, de imediato, tomar medidas. Mas, como era de esperar, remeteu-se a um patético silêncio numa habitual manobra de branqueamento de Madaíl, um modelo de incompetência absoluta.

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quinta-feira, setembro 13, 2007

Clube Scolari (II)

Scolari: "Ele [Dragutinovic] ia bater no Quaresma, e eu defendi o Quaresma. Pergunta a ele se eu toquei nalgum cabelo dele…".
No cabelo, no cabelo, não... Mas olha que és tipo para lhe ter acertado na cara....

P.S. É impressão minha ou o Quaresma está um bocado careca nesta imagem?

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Clube Scolari (I)

O azar. O mau estado do relvado. O árbitro. O azar. O início de época. O fim de época. Os maus olhados. As lesões. O azar. O mau tempo. Os golos estúpidos. Os postes. A trave. O azar.

Quando se pretende branquear a mediocridade e a incompetência, vale tudo.

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domingo, agosto 12, 2007

Onde está o sorriso Pepsodent?

O Porto perdeu a Supertaça para o Sporting. Creio que se tratou de um caso de “justiça poética”, para apaziguar o excesso de confiança e os tiques de arrogância de Jesualdo Ferreira, a quem o sucesso recente subiu à cabeça. A equipa de Paulo Bento foi a antítese deste espírito: segura na defesa, coesa no meio-campo, humilde na forma como aguardou pela oportunidade certa. Com um golo daqueles, qualquer taça ficaria bem entregue. Terá Jesualdo aprendido a lição?

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quinta-feira, maio 24, 2007

O melhor do mundo


Cristiano Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho são génios do futebol, Drogba é o melhor avançado do mundo, e Essien, Henry e Van Nistelrooy são atletas incrivelmente dotados. Mas, neste momento, Káká está a jogar a um nível estratosférico. Na final da Liga dos Campeões produziu três momentos brilhantes. Inesquecível a finta “em moinho”, que deixou três adversários por terra com apenas dois toques na bola. Incrível o controlo de bola seguido de um movimento felino, que o coloca na cabeça da área, onde sofre a falta que dá origem ao primeiro golo do jogo. Extraordinário o passe para o segundo golo, obra de requinte, que principia com uma ameaça de remate, seguida de uma abertura tão delicada quanto de difícil execução, que isola Inzaghi e mata o jogo.

Os senhores da UEFA, que viram a partida entre copos de champanhe e caviar, naturalmente designaram Inzaghi o melhor em campo.

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segunda-feira, maio 21, 2007

Cai o pano

O FC Porto, algo abúlico nas últimas semanas, acabou por conquistar o título. O Desp. Aves, como o Professor Neca havia prometido, participou na festa. Pela magnífica primeira volta (40 pontos em 45 possíveis), o FC Porto mereceu a vitória, embora sem a autoridade e classe com que nos habitou nos últimos vinte anos. Quaresma é o homem do campeonato, Postiga e Adriano, alternadamente, foram decisivos.

O Sporting produziu o futebol mais espectacular, mas foi inconsistente durante um curto, mas essencial, período – o que lhe custou a perda de pontos determinantes (empates com Belenenses, Paços de Ferreira, Boavista, Aves). O título assentava bem ao trio Veloso-Nani-Moutinho, mas terá que ficar para a próxima. Liedson provou (uma vez mais) que é o melhor avançado em Portugal.

O Benfica pagou caro um início de época muito fraco, com 3 derrotas em 10 jogos. Durante várias semanas foi a melhor equipa portuguesa, mas baqueou nos momentos decisivos. Problemas físicos de unidades nucleares, a carência de um avançado goleador regular e alguma inépcia psicológica foram determinantes. Ironicamente, acaba o campeonato estando invicto há 20 partidas (a última derrota ocorreu num longínquo 18 de Novembro).

Para o ano há mais.

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terça-feira, abril 03, 2007

Ainda o clássico

Na semana passada – e a propósito do FC Porto-Sporting – trouxe até aqui uma prova irrefutável de que os mundos paralelos existem: cortesia do site oficial do FC Porto. Oito dias depois, confirma-se que a malta do site tem talento para a comédia. Ora vejam este belo naco de prosa sobre o Benfica-FC Porto:

“Lucho González teve um instante infeliz, Renteria não teve sorte no último instante do desafio. Em escassos minutos, definiu-se uma história que esteve a ser escrita em mais de 80, muito por culpa da postura de um Dragão imperial, um verdadeiro Campeão, uma equipa sobranceira, confiante e decidida. O F.C. Porto apresentou-se fortíssimo e, pela coragem demonstrada, merecia regressar a casa vitoriosa. (...)

Ao contrário da tendência de todas as antevisões, desmentindo o ridículo do costume, o F.C. Porto entrou no Estádio da Luz com a intenção clara de vencer e com o intuito de mostrar aos desatentos que continua a ser um fortíssimo candidato a um título que é seu. O Dragão instalou-se em toda a largura do relvado, dispensou cuidados ou tibiezas e correu de imediato pelos três pontos.

A primeira parte do Campeão foi fantástica. Ainda antes do golo de Pepe, num golpe de cabeça precioso a coroar uma exibição de gala do central que, em sociedade com toda a defesa, actuou sempre em patamares superiores, já Adriano tinha ficado a milímetros de inaugurar o marcador, na sequência de um passe simplesmente genial de Lucho González.

A produtividade do F.C. Porto tinha reflexos no marcador e a vantagem era mais do que justa, face ao domínio incontestado, ao rigor da sua máquina e ao desempenho de todos os seus atletas. O Dragão chegava ao descanso muito à frente do seu adversário, com uma expressão que até podia ser mais carregada.

A segunda parte seria marcada pela esperada reacção do Benfica e pela conjugação de factores negativos que penalizaram o F.C. Porto. O meio-campo azul e branco perdeu fulgor com a saída forçada de Raul Meireles e pela inferioridade física de Paulo Assunção, peças fulcrais na filtragem de jogo adversário e o empate surgiria num desvio infeliz do capitão portista. Um autogolo com um certo sabor a injustiça, tão perto de um prémio que teria sido adequado à dedicação de todos os Dragões presentes no relvado.

Nos descontos, uma arrancada de Cech e uma oportunidade flagrante de Renteria podiam ter levado à euforia os portistas presentes nas bancadas e os milhões que sofreram à distância. Teria sido perfeito. O empate, apesar de tudo, mantém o F.C. Porto em posição privilegiada. (...)”

Quase perfeito. Só lhe faltou mesmo uma pontinha de objectividade...

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Homo Selvaticus

Uns animais que escaparam do Zoo aportaram no Estádio da Luz e provocaram desacatos. De quem é a culpa? “Do FC Porto”, dizem uns. “Do Benfica”, exclamam outros. As explicações multiplicam-se: falhou a revista à entrada do estádio; falhou o esquema de segurança; colocar as claques num piso superior foi um desastre. Tudo análises interessantes, mas nenhuma a acertar verdadeiramente no alvo. Alguém se importa de chamar as coisas pelos nomes? Esta gentalha tem comportamentos violentos, absolutamente marginais e criminosos, sobrevivendo num regime semanal fora-da-lei, cuspindo e zombando da polícia, dos seguranças e da ordem pública.

A desresponsabilização destes indivíduos não passa de uma estranha tentativa para branquear a única observação efectivamente genuína: quem se comporta assim deve ser detido e severamente punido. Felizmente, temos um Código Penal bem extenso, e tenho a certeza que, entre as férias judiciais e o fim-de-semana, os nossos juizes serão capazes de encontrar nas acções bárbaras desta gente motivos mais que suficientes para conseguir uma condenação. Repreenda-se a inabilidade da polícia e dos agentes desportivos para lidar com esta selvajaria, mas não se permita que estes delinquentes regressem a casa serenamente e em total impunidade.

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quarta-feira, março 21, 2007

Coisas que fazem rir, 8

Ainda a propósito do FC Porto-Sporting (0-1), atenção ao seguinte texto produzido pelo site oficial dos portistas, um exemplo acabado de que os mundos paralelos existem:

"Um golo contra a superioridade azul e branca na segunda parte, uma conjugação de factores que não favoreceu quem mais tentou, juízos sem critério aparente. A resenha do jogo do Estádio do Dragão destaca o risco máximo assumido pelo F.C. Porto numa segunda parte de alta rotação (...).

Sem preâmbulos nem reverências, o jogo lançou os dois guarda-redes ao relvado logo ao segundo minuto, embora denunciando, desde o pontapé inicial, o comedimento sportinguista, que colocava apenas dois jogadores na frente de ataque. Enquanto o adversário se dispunha a aguardar, detendo-se numa morosa elaboração, o F.C. Porto acelerava em transições múltiplas, que requeriam minúcia e precisão e um critério marcadamente ofensivo. O método portista denotava maior predisposição para vencer, envolvendo também um risco crescente, que o opositor se propunha explorar numa espera paciente, indissociável do erro de quem mais investia no espectáculo e manuseava uma espécie de caixa de velocidades virtual com invejável destreza.

Numa série de maldades, Quaresma acentuava os desequilíbrios que aproximavam o Dragão do golo, para o meio-campo do Sporting logo adormecer a partida em demoradas lateralizações, critério de jogo que a segunda parte viria a agudizar, com a agravante de colocar o visitante em vantagem na cobrança de um livre directo.

Se até então o visitante se esforçara por adormecer o adversário, uma vez a vencer embalaria a bancada, obtendo em resposta a reprimenda no lugar do merecido bocejo, o reflexo mais expectável e condizente com arrastadas demoras, que ainda assim não chegaram a merecer reparo. O F.C. Porto não se renderia, contudo, e esteve a centímetros do golo por mais de uma vez (...). No último lance do jogo, Pepe foi tocado por Polga em plena grande área, num movimento que não mereceu análise criteriosa por parte da equipa de arbitragem."

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quarta-feira, março 14, 2007

Está tudo a dormir

Não há ninguém na redacção de “O Jogo” que ache que esta capa envia uma estranhíssima mensagem sub-reptícia (para não dizer evidente...)?

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Perguntas de algibeira

Passaram onze dias desde que foi anunciado o extraordinário aumento do desemprego em Portugal. Para quando a explicação do Governo, numa sessão em directo às 20 horas?

O ministro Correia de Campos é um exemplo de uma pessoa que não acredita no que diz, mas pensa que acredita ou de uma pessoa que acredita no que diz, mas sabe que não devia acreditar? Em qualquer dos casos, não acredita Correia de Campos que está na hora de se demitir?

As emissões de dióxido de carbono cresceram em Portugal a um ritmo avassalador e estamos longe de cumprir as metas estabelecidas por Quioto. Além da notícia idiota de que o Secretário de Estado do Ambiente vai comprar um híbrido, para quando medidas capazes de fazerem (realmente) a diferença?

Por que é que Fernando Santos insiste em fazer substituições aos 91 minutos de jogo?

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