terça-feira, abril 03, 2007

Homo Selvaticus

Uns animais que escaparam do Zoo aportaram no Estádio da Luz e provocaram desacatos. De quem é a culpa? “Do FC Porto”, dizem uns. “Do Benfica”, exclamam outros. As explicações multiplicam-se: falhou a revista à entrada do estádio; falhou o esquema de segurança; colocar as claques num piso superior foi um desastre. Tudo análises interessantes, mas nenhuma a acertar verdadeiramente no alvo. Alguém se importa de chamar as coisas pelos nomes? Esta gentalha tem comportamentos violentos, absolutamente marginais e criminosos, sobrevivendo num regime semanal fora-da-lei, cuspindo e zombando da polícia, dos seguranças e da ordem pública.

A desresponsabilização destes indivíduos não passa de uma estranha tentativa para branquear a única observação efectivamente genuína: quem se comporta assim deve ser detido e severamente punido. Felizmente, temos um Código Penal bem extenso, e tenho a certeza que, entre as férias judiciais e o fim-de-semana, os nossos juizes serão capazes de encontrar nas acções bárbaras desta gente motivos mais que suficientes para conseguir uma condenação. Repreenda-se a inabilidade da polícia e dos agentes desportivos para lidar com esta selvajaria, mas não se permita que estes delinquentes regressem a casa serenamente e em total impunidade.

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Ser ou não ser Engenheiro: uma clarificação

O que está em causa na polémica relativa à licenciatura de José Sócrates não é o facto de Sócrates ser ou não ser engenheiro. Muitos comentadores apressaram-se a sublinhar a tese do ministro Santos Silva, afirmando que se tratava de “jornalismo de sarjeta”, possível apenas num país de invejosos onde ter um canudo, ou um título, é sinónimo de sucesso público. Isto é secundário na discussão.

O que está em causa é a eventualidade de Sócrates ter adquirido ilicitamente o grau de Licenciatura, manipulando documentos, contornando a legislação e/ou utilizando o seu peso político e pessoal para pressionar entidades da Universidade Independente a cumprirem as suas solicitações. Por mais que custe aos defensores de Sócrates, é muito relevante saber se o primeiro-ministro se envolveu ou não em actos ilegais, que além do mais lhe serviram para forjar uma biografia política incorrecta e falaciosa. Ou a prática de falcatruas por responsáveis públicos é já tão habitual que pura e simplesmente nos resignámos a encará-las como normais e irrelevantes?

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