Um exemplo de cidadania inútil
A campanha pergunta inicialmente: "E o seu leite, o que tem de especial?". Um miúdo responde: "Tem vitaminas, proteínas e é bom para os dentes", acrescentando a seguir, em tom jocoso: "Ajuda a crescer. Também tem judo, tem manobras de skate, tem força que chegue para aquele grandalhão do 6º B". Esta última frase provocou a ira de Fernando Ribeiro e Castro, presidente da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas. "É uma parvoíce", pois incita à violência, disse o dirigente.
Este episódio ridículo, que mais parece oriundo de uma qualquer Brigada dos Bons Costumes de outros tempos, é bem ilustrativo de um mal nacional: uma tentativa - totalmente falhada - de imitar o espírito anglo-saxónico das associações cívicas e procurar assim uma intervenção cuidada no espaço público. O problema é que, enquanto nos países nórdicos, Grã-Bretanha e EUA, estas associações se dedicam a monitorizar a qualidade do ensino, do ambiente, dos espaços públicos e dos equipamentos culturais, em Portugal adoptou-se uma concepção de associação baseada nos princípios da “Mulher Moderna” e do “SIC 10 Horas”, numa espécie de jet-set cívico, impregnado pelo politicamente correcto, por valores superficiais e teorias da moda. Nem a copiar passamos o teste.
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