domingo, abril 22, 2007

Hara-kiri?

É espantoso que os militantes de um partido de Direita – que faz da defesa de valores, do respeito pelos bons costumes e da apologia dos comportamentos éticos elementos essenciais do seu credo político – tenham hoje eleito para seu líder um homem que praticou uma das maiores canalhices políticas de que há memória.

Portas pode ser melhor orador que Ribeiro e Castro, mais mediático, mais acutilante nas suas críticas e mais objectivo na definição das suas propostas. Pode ser mais famoso, mais popular entre os media e ter melhor instinto político. Mas o que fez ao longo destes dois anos – planeando manobras de bastidores para minar a legítima liderança de Ribeiro e Castro, e engendrando artimanhas políticas de forma a manipular uma oposição interna sem nunca dar a carafoi um truque demasiado baixo. Que o desonra, e que desonra aqueles que nele votaram nas Directas do CDS-PP.

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segunda-feira, março 26, 2007

Art Expresso

Actualmente é de bom tom enaltecer a determinação de Sócrates, em contraste com a desorganização que grassa na oposição. Todavia, os jornalistas – e os jornais de referência em particular – têm a obrigação de resistir a estas tendências e assumir uma posição mínima de imparcialidade. Isto não significa uma diminuição do sentido crítico, mas sim a necessidade de rejeitar abordagens preconceituosas, que ora demonizam ora deificam personagens e movimentos políticos. Por outras palavras, exige-se que o jornalista, manifestando uma opinião (e tratando-se de uma reportagem ou da divulgação de uma notícia), não conduza o leitor a uma interpretação circunscrita da mesma.

O Expresso caminha em sentido contrário, apoiando sem despudor as medidas do Governo e ridicularizando a oposição. Sirva de exemplo a reportagem na pág. 2 – “a história do coração que atrasou Sócrates” – que já na passada semana recebera honras de primeira página. Trata-se de uma “notícia” que se presta apenas a destacar a compaixão socrática, que através de um acto heróico salvou uma criança de 2 anos; tudo porque o avião do primeiro-ministro foi ao Funchal buscar um coração para um transplante, tendo aliás feito Sócrates chegar atrasado ao Conselho Europeu. Uma verdadeira história de encantar, com efeitos puramente propagandísticos.

Simultaneamente, a oposição é escarnecida ao longo do jornal, através de inenarráveis escolhas gráficas. Na pág. 10 lemos uma reportagem intitulada “A desafinada banda do PSD”, sobre a oposição interna à liderança de Marques Mendes. A ilustração? Uma fotomontagem em que Marques Mendes, meio-Nosferatu, meio-Conde Drácula, surge com um olhar tresloucado, em pura meditação transcendental a la Zandinga. A rodeá-lo, várias cabeças de políticos em corpos alheios, tocando uma série de instrumentos. Gostei especialmente do baixista Santana Lopes e de uma inconcebível montagem de Paulo Portas tocando guitarra em tronco nu. Apenas duas perguntas: o que é que Portas tem a ver com a oposição interna do PSD e porque diabo o Expresso se presta a ridicularizar-se a si próprio juntando à cabeça de Portas um tronco nu peludo de outra pessoa?

Já na página 7, e a pretexto de uma notícia sobre o CDS, encontramos uma espantosa montagem de Maria José Nogueira Pinto, transformada pelo grafismo de Miguel Seixas numa imagem de Belzebu, apenas com um corno lateral, mas com a inconfundível cauda demoníaca, tudo isto enquadrado com umas chamas em fundo. Jornalismo de qualidade, sem dúvida.

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sexta-feira, março 23, 2007

Hipocrisia sem limites

Depois de proporcionarem ao país momentos vergonhosos de canalhice política, os populistas (ou democratas-cristãos, como preferirem) procuram agora – num gesto apreciável de contorcionismo – negar o óbvio, arvorando-se ora em defensores da moral (através do inesquecível Hélder Amaral, esse beirão sem mácula), ora em grandes democratas (Portas, Telmo Correia, Pires de Lima), ora em apologistas da “discussão democrática” (o grande Nobre Guedes). Para o CDS, no pasa nada. É preciso ter lata.

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