sexta-feira, agosto 10, 2007

Se há "posts" de Verão...

... este é seguramente um dos melhores. O início é delicioso:

"Os bancos fazem agora venda ambulante. A ideia é enfiar cartões de crédito na carteira das pessoas. Os vendedores estão em qualquer lugar. No outro dia e ali junto ao Tejo, aproxima-se uma rapariga jovem com um sorriso que prometia. Depois de nos cumprimentar, a mim e a um amigo, começa a venda. Tratava-se de um cartão de crédito que, nas palavras dela, não é como os outros.

Antes de ouvirmos com atenção a ladainha do costume, não pudemos deixar de reparar nos avassaladores seios que a rapariga levava para a venda, visíveis, estou certo, da outra margem do rio. Umas mamas incontáveis, que eram desnecessariamente ajudadas por um artefacto engenhoso, disfarçado na roupa, que as empinava três torres Vasco da Gama acima do rio. A ver pelas glândulas, o plafond prometia.

Sobre a conversa, pouco há a dizer. Pose pirosa, tiques brejeiros e algum atrevimento. Falava connosco como falará com as amigas nos átrios dos centros comerciais ou nas saídas às docas. Um desplante. Queria tanto vender que concordava sempre connosco, até quando lhe disse que não gostava de bancos nem com molho de tomate. “Eu também não” – disse ela, como se fosse capaz de distinguir um banco de uma cabine telefónica. "

Visitem o Lóbi do Chá e leiam o resto, que vale a pena.

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segunda-feira, junho 18, 2007

Produtos Seleccionados

1. “Chegou o tempo dos pina-maniqueiros”, no Combustões. Sobre a deriva autoritária das instituições e dos seus obscuros meandros, personificados na guardiã da moral e dos bons costumes, Margarida Moreira.

2. "O controlo digital", no Da Literatura. Uma outra leitura muito recomendável sobre a entrevista da directora da DREN ao Diário de Notícias.

3. “Porto: estado de demência arquitectónica”, no Apaniguado. Uma crítica certeira aos projectos de Siza Vieira para as praças da cidade do Porto: o triunfo do cinzentismo e a derrota do espaço público.

4. “Marcha Nupcial”, no Kontrastes. A propósito da crise do casamento e da alteração de costumes: “Para quem acredita no amor duradouro, times are not good.”

5. “Pouco tentador”, no Bicho Carpinteiro. Sobre a forma pouco cuidada com que a obra Tentações de Santo Antão (Bosch) está exposta no Museu Nacional de Arte Antiga.

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sábado, maio 26, 2007

Produtos seleccionados

1. Sobre os disparates da semana – do “caso DREN” às declarações patéticas de Mário Lino – recomendo três textos: “O humor político”, no Suburbano; “Gaffes linosas e o ocaso deste regime”, no Combustões; e “Tempestade no deserto”, no Corta-Fitas.

2. A propósito da tirada antológica de Almeida Santos, dois pequenos apontamentos com muita graça: “O que virá a seguir?”, na Atlântico; e “Almeida Santos: o delírio”, no Bloguítica.

3. “A moral do ditador”, no Kontratempos. Uma nota sobre o programa político de Hugo Chávez, que naturalmente lida muito mal com eventuais críticas.

4. “O homem desfocado”, no Portugal dos Pequeninos. Em torno da estratégia de António Costa, algures entre o capanga do governo e o salvador de Lisboa.

5. “Um livro”, na Natureza do Mal. Uma importante recordação de Fahrenheit 451, num momento em que a informação cultural é ostracizada na imprensa portuguesa.

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quarta-feira, abril 25, 2007

Auf Wiedersehen

Pedro Arroja deixou o Blasfémias. O enfant terrible da blogosfera, especialista em argumentos falaciosos e generalizações simplistas, acabou traído pelos seus pares blasfemos, após um post anti-semita, onde se podia ler "(...) os intelectuais de cultura judaica são sempre mais fieis à sua cultura do que à verdade e, em caso de conflito entre ambas, optam pela primeira em detrimento da segunda - e sem hesitação”.

Nada que não se esperasse: há vários meses que o professor Arroja nos vem brindando com a sua peculiar visão de extrema-direita, assente no binómio autoridade/poder, na defesa incondicional de uma moral conservadora e uma visão social e política bafienta e caduca. Sem surpresas, os seus posts geravam largas dezenas de comentários, mas parece-me evidente que nem esta ideologia, nem a sua subversiva lógica argumentativa deixarão saudades. Deixo-vos com uma selecção de algumas preciosidades redigidas pelo professor, num post intitulado “Dona”, que vai perdurar como um momento ímpar na história da blogosfera portuguesa (sublinhados meus):

“(...) uma família de tradição católica é um sistema de autoridades hierarquizadas e especializadas, competindo à mulher o governo da casa, de que ela é a autoridade executiva, e competindo ao homem assegurar o sustento da casa, de que ele é a autoridade suprema, embora meramente simbólica.

Em consequência, a mulher da tradição católica desenvolveu ao longo dos séculos uma capacidade para, ao fim do mês, e em nome do governo da casa, despojar completamente o marido de tudo quanto ele ganha - e só às vezes condescendendo em que ele guarde uma pequena parcela para as suas despesas pessoais. Aos olhos do homem católico, a sua mulher é uma mulher cara, levando-lhe invariavel e religiosamente o vencimento por inteiro ao final de cada mês. (...)

O tratamento de jóia que o marido de tradição católica por vezes consagra à sua mulher está lá para lhe lembrar permanentemente que ela lhe custa os olhos da cara, e não tem correspondente em tratamento semelhante no mundo anglo-saxónico.

A forma como ele popularmente se refere a ela perante terceiros, como sendo a patroa, ilustra bem que, lá em casa, quem controla o dinheiro é ela, não ele. O título de Dona que a mulher da tradição católica adquire com o casamento revela que tudo aquilo que existe em casa é dela porque foi comprado por ela - embora quase sempre, e às vezes exclusivamente, com o dinheiro do marido.”

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segunda-feira, abril 23, 2007

Produtos Seleccionados

1. “Afinal, as comissões parlamentares podem servir para alguma coisa”, no Diplomata. Uma análise de um procedimento político comum nos EUA – as audições no Senado – como modelo de um saudável escrutínio público dos agentes governativos.

2. “Uma brecha”, no Ângulo Saxofónico. Um texto extraordinário acerca do que está – e sobretudo do que não está – em causa no massacre na Virginia Tech: a “impotência hermenêutica” e a experiência do indizível.

3. “O poder político na Ilíada”, no Juízo do Ega. Uma interessante leitura política da Ilíada, em torno do direito divino dos reis – o fundamento doutrinário de uma visão monárquica do poder.

4. “O incomparável”, no Arrastão. Um comentário lúcido sobre a disparatada intervenção de Mário Soares, na qual sustentou a tese da cabala relativamente ao caso da “licenciatura de Sócrates”, estabelecendo um paralelo com Ferro Rodrigues e o processo “Casa Pia”.

5. “Eu oposito, tu opositas, ele oposita (parte II)”, no Cachimbo de Magritte. Uma proposta para renovar a natureza da oposição em Portugal, insistindo na necessidade de providenciar novos instrumentos políticos aos partidos que não estão no poder, a fim de potenciar a dimensão construtiva da sua acção crítica.

6. “O plano”, no Notas ao Café. O incrível impacto que um cartoon – na sua impressionante simplicidade – pode transmitir.

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sexta-feira, abril 13, 2007

A entrevista

O melhor texto da blogosfera sobre a entrevista de Sócrates é este, do Pedro Correia, no Corta-Fitas, que passo a reproduzir (sublinhados meus):

"Ilude-se quem pensar que José Sócrates passará incólume do extenso rol de dúvidas suscitadas pela sua licenciatura na desprestigiadíssima Universidade Independente. As três semanas de pesado silêncio que manteve face às notícias que iam saltando para o espaço público terão repercussões inevitáveis na sua imagem, como aliás se verá.
Da entrevista de ontem à RTP ressalta uma ideia nítida: Sócrates convive muito mal com a crítica. Reage com arrogância e sobranceria às legítimas questões que lhe são dirigidas, por mais simples que sejam, percebendo-se que está pouco ou nada habituado a que o enfrentem de olhos nos olhos. Será talvez instinto de «animal feroz», como ele próprio se definiu numa memorável entrevista ao Expresso. Mas falar com manifesto desdém da «blogosfera», equiparando-a a um vespeiro de intrigas, sem atentar que vários dos seus camaradas de partido são responsáveis por alguns dos blogues mais influentes em Portugal, é algo indigno de quem tanto gosta de proclamar a necessidade de acertarmos o passo com o futuro na sociedade da comunicação.
Este Sócrates inchado de soberba e auto-suficiência, incapaz de aceitar críticas, constitui a pior face de um primeiro-ministro que tem revelado capacidade de decisão e competência política. Só lhe faltou dizer: «Deixem-me trabalhar!» Com a devida vénia a Cavaco Silva".

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quinta-feira, abril 05, 2007

Alguém falou em censura?

Ainda a propósito do artigo de Vicente Jorge Silva, chamo a atenção para uma passagem despercebida, que constitui no entanto um bom exemplo de uma lamentável prática cada vez mais comum entre agentes governativos e alguns opinion-makers: o ataque à imprensa e às novas formas de comunicação (nomeadamente à blogosfera). A passagem reza assim: “Muito antes do descalabro da Universidade Independente e das notícias dos jornais, já o currículo de Sócrates era maldosamente referido na blogosfera, essa outra praga moderna que escapa ao controlo dos poderes públicos (...)”.

Esta passagem rancorosa (ao melhor estilo do Procurador-Geral da República) mostra como esta gente convive muito mal com a liberdade de imprensa, com a denúncia pública e com a existência de um espírito crítico do cidadão comum (esse ser aberrante que se atreve a apontar erros aos governantes a partir do seu computador pessoal) – no fundo, com a sociedade aberta que submete os ocupantes de cargos públicos a um permanente e rigoroso escrutínio. Afinal, parece que as saudades do lápis azul não são um privilégio da Direita.

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sábado, março 31, 2007

Produtos Seleccionados

1. “Em cartaz”, no Lóbi do Chá. Em torno do que verdadeiramente importa na polémica acerca do cartaz xenófobo do PNR: o triunfo da liberdade de expressão, “por mais ignóbil que seja a mensagem”.

2. “Alemanha: um caso exemplar”, no Corta-Fitas. Uma reflexão sobre a efemeridade na política, mostrando que os “estados de graça” são realidades pouco consistentes, e que o apreço dos eleitores é extremamente volátil.

3. “Muito mais do que um cigarro”, no Arrastão. Um texto grande – mas um texto excelente – sobre a nova lei do tabaco e as suas incongruências.

4. “Política unitária”, no Kontratempos. Em redor das estratégias da Esquerda portuguesa: da concórdia entre PS e BE e da silenciosa exclusão do PCP.

5. “O nascimento da química”, no De Rerum Natura. De um blogue recente que rapidamente se tornou popular, um post de Carlos Fiolhais sobre o desabrochar da Química no último quartel do século XVIII.

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quinta-feira, março 29, 2007

Os limites da sátira

Pacheco Pereira tem toda a razão. Odete Santos pode ser a mulher mais espalhafatosa do mundo, mas as graçolas rasteiras de que tem sido alvo na blogosfera são reprováveis. Especialmente aqui – num blogue de que, confesso, sou adepto – o nível das piadolas foi ignóbil. Se a própria blogoesfera pretende combater a ideia generalizada de que os blogues são simples antros de mesquinhez, escárnio e deboche, os bloguistas devem repensar o seu processo crítico. Há muitas formas de denunciar comportamentos errados e declarações infundadas, mas a injúria e a maledicência são as mais triviais – no pior sentido.

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quarta-feira, março 14, 2007

Produtos Seleccionados

1. “Música no coração”, no Lóbi do Chá. Com a ironia do costume, um excelente texto sobre uma notícia na primeira página do “Expresso”, onde se procura criar a imagem de um Sócrates ternurento, carinhoso, compassivo.

2. “Outlier: a carta do ministro”, no Margens de Erro. Em torno das recentes fanfarronices de António Costa, sempre pronto a distribuir traulitadas pelos seus críticos.

3. “O complexo”, no Da Literatura. A partir da estranha indignação de algum jornalismo sobre o “caso Mantorras”, apanhado a conduzir com carta de condução inapropriada. Eduardo Pitta é inquestionavelmente um dos melhores bloggers portugueses.

4. “Condorcet: o Protestantismo, o Catolicismo e o Analfabetismo Luso”, no Apaniguado. Uma interessante reflexão sobre as raízes do analfabetismo e da literacia, contrariando habituais preconceitos e relendo o processo de educação das massas à luz dos nacionalismos do século XIX.

5. As diferentes impressões de Pedro Correia sobre a sua viagem à Suécia, no Corta-Fitas: uma, duas, três.

6. Para finalizar, um espantoso projecto de Bernardo Rodrigues (O Arco e a Orquídea), revelado e comentado no A Barriga de um Arquitecto.

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sábado, março 03, 2007

Produtos Seleccionados

1. “O escrevinhador de blogs”, no Tugir. Um apontamento bem-disposto sobre a arte bloguista e os estranhos prazeres do anonimato.

2. “O polícia de costumes”, no Portugal dos Pequeninos. Com a ironia de sempre, um desabafo a propósito da nova legislação anti-tabaco

3. “Negócios de Estado”, no Apaniguado. Excelente texto premonitório sobre o resultado da OPA, partindo de uma análise sociológica dessa propriedade tão portuguesa: a inveja.

4. O Notas ao Café delicia-nos diariamente com uma soberba selecção de cartoons. Este, este e estes são de antologia.

5. “Manuel Galrinho Bento (1948-2007)”, no Canhoto. Uma sentida homenagem ao maior guarda-redes português de sempre.

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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Produtos Seleccionados

Para o Carnaval, uma escolha assumidamente conservadora.

1. "Os novos ditadores", no Hoje há Conquilhas. Sobre os recentes esforços censórios da patrulha da moral, a malta do Bloco, sempre motivada pela defesa dos bons costumes.

2. "Israel e o ataque ao Irão", no Kontratempos. Um texto desassombrado acerca do perigo real que envolve a ideia de um Irão nuclear, e da necessidade de virmos a contar com Israel, uma vez mais.

3. "Revolução", no Mar Salgado. Uma boa pergunta a fazer ao senhor Chávez.

4. "Contra os preconceitos de esquerda", no Portugal dos Pequeninos. Um merecido elogio à recente publicação portuguesa das Memórias de Raymond Aron.

5. Para terminar, um post cheio de ironia – mas que acerta em cheio – sobre a diferença entre progressistas e conservadores: "A confissão mais velha do mundo", no Cachimbo de Magritte.

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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Choque tecnológico

O Novo Blogger deve ter inúmeras vantagens, não duvido. Para já, o único efeito da mudança forçada é um estado de irritação permanente em quem o utiliza. Não se consegue postar vídeos, a edição e publicação de texto dá sistematicamente erro, a caixa de comentários está cheia de spam e mensagens auto-geradas, o sitemeter não funciona. Isto está bonito.

Actualização: o sitemeter desapareceu por artes mágicas. Pede-se a quem o encontrar, o favor de contactar o nosso e-mail. A gerência agradece.

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quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Produtos Seleccionados

1. “Exílio”, no Kontratempos. Sobre a fuga do prémio Nobel Orhan Pamuk para os EUA, país que fez do acolhimento a sua matriz distintiva.

2. “John Edwards, o candidato que vem do Sul”, na Grande Loja do Queijo Limiano. Uma cuidada apresentação de um político americano muito promissor, na corrida para a nomeação Democrata de 2008.

3. “O monstro sublime”, no Portugal dos Pequeninos. Sobre o (segundo!) Prós e Contras dedicado ao aborto. Uma feira de horrores.

4. “Algumas precisões sobre as relações entre o direito e a moral”, no Sobre o Tempo que Passa. Um texto de José Adelino Maltez em torno do problema da normatividade ética e jurídica, a partir dos Utilitaristas, Fichte, Jellinek e Habermas.

5. “Questionar o passado”, no Hoje há Conquilhas. A propósito da habitual perseguição do CDS-PP e da sua “juventude” aos ambientalistas, essa gente egoísta e mal formada.

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