quinta-feira, setembro 13, 2007

Clube Scolari (II)

Scolari: "Ele [Dragutinovic] ia bater no Quaresma, e eu defendi o Quaresma. Pergunta a ele se eu toquei nalgum cabelo dele…".
No cabelo, no cabelo, não... Mas olha que és tipo para lhe ter acertado na cara....

P.S. É impressão minha ou o Quaresma está um bocado careca nesta imagem?

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segunda-feira, setembro 10, 2007

Onde é que já vi isto?

Durante o jantar de domingo, percorro os canais generalistas. No canal 1, Jorge Gabriel apresenta o “1,2,3”, com a Ana Bola e a Bota Botilde. No canal 2 (ou lá como os lacaios do regime lhe chamam agora), José Hermano Saraiva regozija-se com o pelourinho de Sobral da Serra e com as fortificações de São Miguel de Jarmelo. A SIC apresenta um concurso para captar talentos musicais, mas só se ouvem canas rachadas. A TVI mostra uma telenovela com actores sem borbulhas, meninas com 1,80m de altura, rapazes sem barba e casas repletas de almofadas amarelas e cor-de-laranja.

Tratou-se de uma experiência mundana do eterno retorno ou tinha acabado de sair de uma máquina do tempo?

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quinta-feira, setembro 06, 2007

Corados de vergonha (II): a questão essencial

Corre na blogosfera grande excitação entre os comunistas a propósito da iniciativa do Tiago Barbosa Ribeiro, e da condenação generalizada que os blogues portugueses fizeram em relação ao convite do PCP para que o braço político das FARC estivesse presente na Festa do Avante. O texto que escrevi sobre o assunto mereceu vários comentários extensos (que aliás circulam um pouco por toda a blogosfera), um dos quais é uma cópia de um post de António Vilarigues.

Independentemente de ter sido o próprio autor a inseri-lo ou um fiel seguidor, gostava de responder com o presente texto, em jeito de comentário à contra-indignação dos comunistas portuguesas. O argumento principal é a de que são cometidos vários crimes na Colômbia e ninguém mostra grande indignação por isso (em algumas versões mais pesadas, os americanos [surpresa!] andam a matar sindicalistas colombianos, noutras – mais leves – é uma gente sem rosto que assassina camponeses sem nome).

Ora, isto é muito interessante, mas não tem nada que ver com o caso. A indignação por muitos demonstrada, e nos quais me incluo, não incide sobre as práticas da FARC; só alguém extremamente mal informado poderia ficar surpreendido ou acordar subitamente para as acções sangrentas deste grupo, que anda a espalhar o terror na Colômbia há décadas. A questão relevante não é portanto saber se há outros criminosos na Colômbia além das FARC – porque é óbvio que há. Há assassinos de esquerda, de direita e – vejam lá bem – até gente que mata sem ser por razões políticas ou motivações ideológicas.

O que me perturba é que o PCP, um partido com representação parlamentar num país democrático como Portugal, um partido que apregoa o primado da liberdade e que se diz defensor dos direitos humanos, apadrinhe e convide um grupo terrorista para a sua festa oficial. Esta é a questão e o problema a justificar. E a esta questão nenhum comunista responde apropriadamente.

Porque das duas uma: ou o PCP não reconhece que as FARC são uma organização terrorista – e é melhor que advogue a saída imediata da UE e da NATO, porque estas duas entidades declararam oficialmente as FARC como um dos mais extremistas e violentos grupos terroristas mundiais; ou o PCP reconhece o que são as FARC e assume que convidou o seu braço político plenamente ciente do que ele representa, e nesse caso não pode continuar a dizer de si próprio que é um partido favorável à democracia, que respeita os direitos humanos e que defende intransigentemente a liberdade.

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sábado, setembro 01, 2007

Corados de vergonha?

Naturalmente que compreendo a indignação e me junto a esta iniciativa do Tiago Barbosa Ribeiro. É inaceitável que o PCP tenha convidado, uma vez mais, o Partido Comunista da Colômbia para a Festa do Avante, tendo em conta que este é o braço armado das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), um grupo terrorista que já levou a cabo centenas de sequestros, assassínios e outras barbaridades nas últimas décadas.

Honestamente, não fiquei surpreendido. Há muito que o PCP chafurda numa esquizofrenia ideológica, que lhe permite apregoar o primado da liberdade e defender os “direitos dos trabalhadores” e dos “oprimidos”, ao mesmo tempo que enaltece a construção do Muro de Berlim (escreverei sobre este tema nos próximos dias), exalta o modelo social soviético dos anos 60, e elogia os decrépitos, corruptos e ditatoriais regimes políticos da Coreia do Norte, China e Cuba. E o mais interessante é que não estamos perante uma patologia, nem sequer diante de um hábito. É mesmo um modo de vida.

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segunda-feira, junho 11, 2007

Mário Soares: o delírio

Dois posts (no 31 da Armada e no Portugal dos Pequeninos) resumem o essencial da entrevista de Soares ao Expresso: um delírio revolucionário, onde se invoca a alma bolivariana para se falar do progresso da sociedade, na bonita esperança de “um mundo melhor”. Um mundo naturalmente partido em dois: de um lado, os anjos Zapatero, Chávez, Sócrates, Lula; do outro, os monstros Bush, Durão Barroso, Alberto João Jardim e a malta do neoliberalismo, que quer destruir os mais pobres, os desfavorecidos, os desgraçados...

No meio destes “momentos Francisco Louçã” jazem duas pérolas. Numa primeira ocasião, e a propósito de uma profunda reflexão sobre o liberalismo, Soares refere-se a um misterioso mas extraordinário “relatório americano” sobre as desigualdades no mundo. O que propõem esses adoradores de hambúrgueres? Soares dixit: “Neste momento, há um relatório nos Estados Unidos onde se diz que o grande inimigo já não é o terrorismo, mas o perigo que podem representar as populações do Sul, famintas, vítimas do subdesenvolvimento e das catástrofes naturais, procurando desesperadamente entrar nos países ricos do Norte. E a única resposta possível – diz o relatório – será a sua exterminação em massa!. A existência deste relatório e a formulação desta conclusão são absolutamente verosímeis...

Após esta efabulação hollywoodesca, Soares presenteia-nos com novo momento de lucidez. Instado a nomear “os grandes líderes que marcam o mundo” – “dos que estão no activo”, acrescentam os jornalistas – Soares menciona Zapatero, Tarja Halonen, Vaclav Havel, Mary Robinson, Delors e Ségolène Royal. Trata-se de uma lista notável, sem dúvida: dando o benefício da dúvida a Zapatero, quem temos nós? A Presidente da Finlândia, figura reconhecida pelos seus feitos na defesa dos alces da Lapónia; Havel, Presidente da República Checa há 5 anos atrás; Robinson, Presidente da Irlanda há dez; e Jacques Delors, que deixou a Comissão Europeia há 12. Políticos no activo? Só se for Ségolène, que habita diariamente nas revistas cor-de-rosa e em festas do jet-set francês...

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terça-feira, abril 03, 2007

Ainda o clássico

Na semana passada – e a propósito do FC Porto-Sporting – trouxe até aqui uma prova irrefutável de que os mundos paralelos existem: cortesia do site oficial do FC Porto. Oito dias depois, confirma-se que a malta do site tem talento para a comédia. Ora vejam este belo naco de prosa sobre o Benfica-FC Porto:

“Lucho González teve um instante infeliz, Renteria não teve sorte no último instante do desafio. Em escassos minutos, definiu-se uma história que esteve a ser escrita em mais de 80, muito por culpa da postura de um Dragão imperial, um verdadeiro Campeão, uma equipa sobranceira, confiante e decidida. O F.C. Porto apresentou-se fortíssimo e, pela coragem demonstrada, merecia regressar a casa vitoriosa. (...)

Ao contrário da tendência de todas as antevisões, desmentindo o ridículo do costume, o F.C. Porto entrou no Estádio da Luz com a intenção clara de vencer e com o intuito de mostrar aos desatentos que continua a ser um fortíssimo candidato a um título que é seu. O Dragão instalou-se em toda a largura do relvado, dispensou cuidados ou tibiezas e correu de imediato pelos três pontos.

A primeira parte do Campeão foi fantástica. Ainda antes do golo de Pepe, num golpe de cabeça precioso a coroar uma exibição de gala do central que, em sociedade com toda a defesa, actuou sempre em patamares superiores, já Adriano tinha ficado a milímetros de inaugurar o marcador, na sequência de um passe simplesmente genial de Lucho González.

A produtividade do F.C. Porto tinha reflexos no marcador e a vantagem era mais do que justa, face ao domínio incontestado, ao rigor da sua máquina e ao desempenho de todos os seus atletas. O Dragão chegava ao descanso muito à frente do seu adversário, com uma expressão que até podia ser mais carregada.

A segunda parte seria marcada pela esperada reacção do Benfica e pela conjugação de factores negativos que penalizaram o F.C. Porto. O meio-campo azul e branco perdeu fulgor com a saída forçada de Raul Meireles e pela inferioridade física de Paulo Assunção, peças fulcrais na filtragem de jogo adversário e o empate surgiria num desvio infeliz do capitão portista. Um autogolo com um certo sabor a injustiça, tão perto de um prémio que teria sido adequado à dedicação de todos os Dragões presentes no relvado.

Nos descontos, uma arrancada de Cech e uma oportunidade flagrante de Renteria podiam ter levado à euforia os portistas presentes nas bancadas e os milhões que sofreram à distância. Teria sido perfeito. O empate, apesar de tudo, mantém o F.C. Porto em posição privilegiada. (...)”

Quase perfeito. Só lhe faltou mesmo uma pontinha de objectividade...

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quarta-feira, março 21, 2007

Coisas que fazem rir, 8

Ainda a propósito do FC Porto-Sporting (0-1), atenção ao seguinte texto produzido pelo site oficial dos portistas, um exemplo acabado de que os mundos paralelos existem:

"Um golo contra a superioridade azul e branca na segunda parte, uma conjugação de factores que não favoreceu quem mais tentou, juízos sem critério aparente. A resenha do jogo do Estádio do Dragão destaca o risco máximo assumido pelo F.C. Porto numa segunda parte de alta rotação (...).

Sem preâmbulos nem reverências, o jogo lançou os dois guarda-redes ao relvado logo ao segundo minuto, embora denunciando, desde o pontapé inicial, o comedimento sportinguista, que colocava apenas dois jogadores na frente de ataque. Enquanto o adversário se dispunha a aguardar, detendo-se numa morosa elaboração, o F.C. Porto acelerava em transições múltiplas, que requeriam minúcia e precisão e um critério marcadamente ofensivo. O método portista denotava maior predisposição para vencer, envolvendo também um risco crescente, que o opositor se propunha explorar numa espera paciente, indissociável do erro de quem mais investia no espectáculo e manuseava uma espécie de caixa de velocidades virtual com invejável destreza.

Numa série de maldades, Quaresma acentuava os desequilíbrios que aproximavam o Dragão do golo, para o meio-campo do Sporting logo adormecer a partida em demoradas lateralizações, critério de jogo que a segunda parte viria a agudizar, com a agravante de colocar o visitante em vantagem na cobrança de um livre directo.

Se até então o visitante se esforçara por adormecer o adversário, uma vez a vencer embalaria a bancada, obtendo em resposta a reprimenda no lugar do merecido bocejo, o reflexo mais expectável e condizente com arrastadas demoras, que ainda assim não chegaram a merecer reparo. O F.C. Porto não se renderia, contudo, e esteve a centímetros do golo por mais de uma vez (...). No último lance do jogo, Pepe foi tocado por Polga em plena grande área, num movimento que não mereceu análise criteriosa por parte da equipa de arbitragem."

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